quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Nasa descobre vestígios de lagos na superfície de Marte

Rover Curiosity registra evidências da existência de lagos salgados na Cratera Gale há bilhões de anos.

O rover Curiosity, da Nasa, encontrou sedimentos ricos em sal na Cratera Gale, em Marte, que explora há sete anos. A descoberta indica que a área já teve lagos salgados, os quais passaram por sucessivos ciclos de transbordamento e secagem em virtude de mudanças climáticas. A novidade, apresentada ontem em artigo na revista “Nature Geoscience”, reforça as observações de satélite que indicam que Marte se tornou substancialmente mais seco após a formação da Cratera Gale, cerca de 3,5 bilhões de anos atrás.

A Cratera Gale é o remanescente de um enorme impacto na superfície marciana. Os sedimentos transportados pela água e pelo vento acabaram preenchendo o chão da cratera, camada por camada. Depois que o sedimento endureceu, o vento esculpiu a rocha em camadas no imponente Monte Sharp, no centro da cratera, que o Curiosity está escalando. Cada uma das camadas expostas nas encostas das montanhas revela uma era diferente da história marciana e contém pistas sobre o ambiente predominante na época.


“Fomos à Cratera Gale porque ela preserva esse registro único de Marte em mudança”, disse William Rapin, cientista planetário do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e principal autor do artigo. “Entender quando e como o clima do planeta começou a evoluir é uma peça de outro quebra-cabeça: quando e por quanto tempo Marte foi capaz de suportar a vida microbiana na superfície?”


Datação incerta

Desde sua chegada ao Planeta Vermelho, em 2012, o Curiosity tem subido lentamente as encostas mais baixas do Monte Sharp. À medida que sobe, o rover tem observado sedimentos cada vez mais recentes. Até agora, o veículo espacial subiu várias centenas de metros ao longo de 21 quilômetros de viagem, mas ainda não se sabe quantos anos de estratigrafia isso significa.

“Estamos lutando um pouco com isso, porque as técnicas detalhadas de datação por rochas que usamos na Terra ainda não podem ser transportadas para Marte”, afirmou Rapin. “Mas acreditamos que é da ordem de dezenas de milhares a milhões de anos.”

As camadas rochosas mostram que, durante esse intervalo, as condições marcianas variaram bastante. Exames por espectrômetro revelaram que, nos pontos mais baixos da cratera, onde o Curiosity pousou, há evidências de sedimentos de um lago de água doce. Conforme o Curiosity foi subindo, os sedimentos começaram a mostrar camadas salgadas, indicando que o lago que ocupava o fundo da Cratera Gale há 3,5 bilhões de anos secou o suficiente para que os sais dissolvidos se precipitassem, assim como o cloreto de sódio se precipita pela evaporação da água do mar.

Normalmente, quando um lago seca completamente, deixa pilhas de cristais de sal puro para trás. Mas os sais marcianos são diferentes. Por um lado, são sais minerais, não sal de mesa. Eles também são misturados com sedimentos, sugerindo que se cristalizaram em um ambiente úmido, possivelmente logo abaixo de lagoas rasas e evaporantes cheias de água salgada.

Tais sais, segundo Rapin e seus colegas, fornecem “impressões digitais geoquímicas” das condições antigas dos lagos. No caso da Cratera Gale, essas impressões digitais contam uma história de oscilações repetidas entre água doce, uma impressão digital de tempos de chuva, e água extremamente salina, comparável ao deserto do Altiplano, na Bolívia.


Mudanças

“Isso nos dá um instantâneo de como o clima evoluiu e flutuou em algo progressivamente mais severo”, disse Rapin. “Vemos esses depósitos como evidência da mudança do nível da água e da cristalização do sal.”

Segundo Rapin, essa é uma descoberta importante, em parte porque mostra com que tipo de ambiente a vida – se existisse em Marte – teria de lidar naquele momento.

As rápidas flutuações climáticas podem ter sido causadas por rápidas mudanças no ângulo de rotação de Marte, afirmou o cientista. Hoje, o eixo de rotação do planeta é inclinado em 25°, muito semelhante à inclinação de 23,5° da Terra. Diferentemente do nosso planeta, porém, Marte é propenso a mudanças drásticas de inclinação, o que acarreta alterações drásticas correspondentes em suas estações.


Transição

Quando estava secando, o lago da Cratera Gale já havia perdido bastante de sua atmosfera para o espaço devido à erosão do vento solar. O planeta já vivia o processo de transição de sua juventude quente e úmida para as atuais condições de frio e secura.

O Curiosity já vislumbrou mais camadas inclinadas adiante que contêm sulfato. Os cientistas planejam levar o rover até lá nos próximos dois anos e investigar essas estruturas rochosas. Se elas se formaram em condições mais secas que persistiram por um longo período, isso pode significar que o estrato de argila representa um estágio intermediário – uma porta de entrada para uma era diferente na história aquosa da Cratera Gale.

“Não podemos dizer se ainda estamos vendo depósitos de vento ou rio na unidade de argila, mas estamos confortáveis em dizer que definitivamente não é a mesma coisa que o que veio antes ou o que está por vir”, disse Chris Fedo, especialista em camadas sedimentares da Universidade do Tennessee e membro da equipe de cientistas autores do artigo.



quarta-feira, 24 de julho de 2019

sábado, 20 de julho de 2019

Como será a próxima ida do homem à Lua planejada pela Nasa

O presidente americano Donald Trump quer que os EUA voltem à Lua em 2024 como parte de uma nova era de exploração espacial. Mas o que será necessário para chegar lá? Um veículo de 12 rodas levanta uma nuvem de poeira cinza e deixa marcas no solo ao atravessar um terreno assimétrico. O "caminhão espacial" tem uma cabine pressurizada, permitindo que os dois astronautas dentro dele respirem sem os trajes espaciais. Eles estão cansados depois de passarem um dia todo investigando depósitos de gelo a alguns quilômetros de sua base.

Essa é a lua em 2050

Conforme o veículo passa ao redor de uma enorme cratera, os astronautas veem o brilho de espelhos montados em sua borda. Os espelhos direcionam a luz do sol para a cratera, dando energia para uma operação de mineração para extrair água/gelo do fundo. À esquerda, o caminhão passa por uma área de pouso, onde um veículo de subida aguarda para entrar em órbita.

O veículo para perto dos domos de uma base, localizada no polo sul da Lua. Os astronautas entram em sua habitação através de uma escotilha pressurizada e removem seus trajes empoeirados. Lá dentro, uma estufa abriga uma horta de batata e couve que emite um brilho difuso sob luzes LED. Os astronautas sobem uma escada para o primeiro andar, onde o comandante da base os espera para ouvir o relatório da missão. Cenários como esse são fantasias, por enquanto. Mas esse é um dos jeitos possíveis para os humanos viverem e trabalharem na Lua. Se o objetivo é estabelecer uma base de longo prazo, teremos que aproveitar o que for possível dos recursos lunares para atender nossas necessidades.

Em seu laboratório na Universidade Open, em Milton Keynes, no Reino Unido, a estudante de doutorado Hannah Sargeant está trabalhando para fazer exatamente isso, usando um mineral chamado ilmenita, que é abundante na Lua. Dentro de um forno, a ilmenita é aquecida para extrair oxigênio, que então é combinado com hidrogênio para produzir água. "Há mais de 20 maneiras de obter água de rochas na lua. A ilmenita é interessante porque é muito comum lá e a reação que você precisa consome relativamente pouca energia", explica. Ela diz que está empolgada com a perspectiva da humanidade voltar à superfície da lua pela primeira vez desde 1972.

"Sinto que minha geração definitivamente vai conseguir fazer isso. Estou confiante que isso vai acontecer até o fim da minha vida, que teremos pelo menos uma habitação permanente em órbita ao redor da Lua, com subidas e descidas frequentes para a superfície." Em 2017, o presidente americano Donald Trump aprovou uma diretriz para levar astronautas americanos de volta à Lua e para "outros destinos". A Nasa disse que o objetivo é fazê-lo até 2028. Mas recentemente o governo pediu que a agência espacial americana reduza o prazo para 2024, citando ambições espaciais da China. Não passou despercebido, no entanto, que a data vai coincidir com o fim do segundo mandato de Trump, se ele for reeleito.

Em 2017, o presidente americano Donald Trump aprovou uma diretriz para levar astronautas americanos de volta à Lua e para "outros destinos". A Nasa disse que o objetivo é fazê-lo até 2028. Mas recentemente o governo pediu que a agência espacial americana reduza o prazo para 2024, citando ambições espaciais da China. Não passou despercebido, no entanto, que a data vai coincidir com o fim do segundo mandato de Trump, se ele for reeleito. 

Desta vez, a Nasa quer fazer as coisas de maneira diferente. A Lua é parte de uma ambição mais ampla de explorar o espaço, incluindo Marte. Então parte do plano é estabelecer uma 'parada' no nosso satélite natural.

Nasa