quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Organismo dos astronautas que viverem em Marte sofrerá mais do que imaginamos

Por enquanto, a ida do ser humano à Marte é algo que está em fase de planejamento e desenvolvimento, mas tanto a NASA quanto a SpaceX já vêm estudando o quanto a jornada de 200 dias até que os astronautas cheguem o Planeta Vermelho impactará no organismo humano, bem como o que acontecerá com seus corpos depois que estiverem vivendo por lá. E esses danos podem ser maiores do que imaginamos.

Questões como atrofia muscular, perda de estrutura óssea, alta pressão intra-craniana, alta exposição à radiação e problemas psicológicos são algumas das preocupações. Para contornar esses problemas, a NASA vem trabalhando com parceiros em ideias como a de uma espécie de hibernação espacial, bem como habitações marcianas em cavernas protegidas. "Há muitos desafios que nos impedem de chegar lá em um estado saudável", declarou John Bradford, chefe de operações da Spaceworks. Ele é a favor desse estado de hibernação durante a viagem dos astronautas.

A hibernação traz também benefícios psicossociais, já que não se pode entrar em depressão enquanto dorme, além de promover uma redução da pressão intra-crianiana e abrir possibilidade para que seja feita uma espécie de eletroestimulação a fim de reduzir a atrofia muscular e perda óssea, sem que os astronautas sintam dor ou desconforto.

Além disso, a hibernação também pode colaborar para com a redução de gastos com suprimentos alimentares, reduzindo, ainda, os níveis de energia utilizados. Isso porque, durante a hibernação, a temperatura corporal seria reduzida de 37ºC para algo entre 32 e 34ºC. Mas os astronautas entrariam nesse estado de hibernação por duas semanas, acordando por alguns dias para retomar suas funções corporais, e repetindo o processo até chegar a seu destino. Isso representa outros perigos, já que será necessária uma sedação de longo prazo, nutrição e hidratação, além de eliminação de resíduos e controle contínuo de temperatura.

Passada essa fase, chega o momento de viver em Marte, o que trará outros problemas ao corpo humano. De acordo com Laura Kerber, da NASA, "alguns dos maiores desafios são o ambiente de alta pressão, que requer um traje espacial volumoso e pressurizado, além das temperaturas extremamente frias à noite". A agência espacial já vem trabalhando na criação de trajes mais leves para que a locomoção seja possível.

Ainda, a radiação é outro problema para os astronautas que colonizarem Marte, já que o planeta não conta com um campo magnético de proteção como temos aqui na Terra. Outros desafios envolvem a gravidade marciana, que é de um terço da terrestre, e também é preciso saber mais sobre a poeira do planeta para descobrir o quão seguro seria respirá-la acidentalmente, ou, ainda, o que aconteceria com seu contato na nossa pele.

O robô Curiosity, que vem explorando a superfície de Marte há alguns anos, vem estudando questões como radiação, atmosfera e geologia do Planeta Vermelho, mas ainda há muito o que a NASA não conhece para que as futuras missões tripuladas sejam bem-sucedidas no que diz respeito à integridade física dos corajosos astronautas.



Fonte: Engadget

sábado, 28 de outubro de 2017

Viagem sem volta a Marte

Duzentas mil pessoas já se candidataram para participar do projeto Mars One, que em 2023, pretende levar astronautas para colonizar o Planeta Vermelho. A iniciativa desperta apoio e crítica dos cientistas. Sobretudo por selecionar pessoal em competições de reality show de tevê.

Quem quer encarar uma viagem de sete meses até Marte, enfrentar problemas como raios cósmicos e microgravidade e ficar por lá o resto da vida, à temperatura de menos 60º centígrados e sem oxigênio no ar? Até agora, essa proposta, feita pelo projeto Mars One, já seduziu 202.586 pessoas de todo o mundo que, de abril a agosto, se candidataram a integrar a primeira expedição para colonizar Marte. Segundo a coordenação do projeto, representantes de mais de 140 países inscreveram-se para a jornada sem volta. Os Estados Unidos lideram no número de candidatos (24% do total), seguidos por Índia (10%), China (6%), Brasil (5%) e Grã-Bretanha (4%). Em princípio, todos se consideram aptos a integrar a missão. O portal do projeto (www.mars-one.com) fornece informações básicas sobre as condições físicas e psíquicas necessárias, a idade mínima (18 anos) e uma lista de requisitos fundamentais como “resiliência, adaptabilidade, curiosidade, habilidade para confi ar, criatividade e engenhosidade”.

O Comitê de Seleção do Mars One já começou a avaliar as candidaturas. Notifi cados no fim deste ano, os escolhidos deverão apresentar um atestado médico sobre sua saúde e serão entrevistados, em 2014, por um membro do comitê. Em 2015, seis equipes, cada uma com quatro integrantes, serão selecionadas para sete anos de treinamento, e em 2023 a primeira delas deverá chegar a Marte. Outros grupos a seguirão, a intervalos de dois anos, escolhidos por programas regulares de recrutamento que formarão novas equipes.

O Mars One é um sonho antigo do engenheiro mecânico holandês Bas Lansdorp, que em 2011 vendeu sua participação numa companhia de energia eólica para se dedicar ao plano ambicioso de colonizar Marte. No projeto, ele conta com uma equipe na qual desponta o americano Norbert Kraft, com quase 20 anos de trabalho na Nasa e em outras agências espaciais. Médico-chefe da missão, Kraft é especialista no desenvolvimento de programas fisiológicos e psicológicos para combater os efeitos negativos de voos de longa duração. O Mars One conta ainda com consultores internacionais nas áreas relacionadas à missão, como a brasileira ais Russomano, professora-adjunta da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), especializada em medicina aeroespacial, e com “embaixadores” que ajudam a disseminar a iniciativa, como o holandês Gerard ’t Hooft, Prêmio Nobel de Física em 1999.
Evento midiático

Um objetivo o projeto já conquistou: atrair a atenção global do meio acadêmico e da sociedade. “Fiquei ciente do projeto pela internet”, afirma a brasileira ais, que acertou sua participação como consultora numa conversa pessoal com o próprio Lansdorp. A imprensa tem dado ampla divulgação à iniciativa – como a PLANETA está fazendo. “Desde que iniciamos o Mars One, em março de 2011, recebemos apoio de cientistas, engenheiros, empresários e companhias aeroespaciais de todo o mundo”, diz Lansdorp. “O anúncio do nosso plano em maio de 2012 resultou no engajamento do público em geral e no apoio de patrocinadores e investidores.”

A equipe do Mars One garante que a tecnologia disponível já permite viajar para Marte e sobreviver lá. A água, por exemplo, será obtida aquecendo- se as partículas de gelo do subsolo,
condensando o vapor resultante em reservatórios específi cos. Isso também ajudará a produzir ar para a base, juntamente com o nitrogênio e o argônio fi ltrados da atmosfera marciana.
Quando o primeiro grupo chegar a Marte, o sistema de suporte à vida da missão já terá estocado 3 mil litros de água e 120 quilos de oxigênio. Frutas, verduras e legumes cultivados hidroponicamente constituirão o cardápio cotidiano. Além disso, naves levarão abastecimento da Terra em intervalos regulares.

Embora a equipe demonstre constante otimismo, a missão obviamente contém riscos. “Os principais são a exposição à radiação e à microgravidade durante o voo de sete meses (56
milhões de quilômetros de distância), prejudiciais ao sistema músculo esquelético, e o ambiente hostil de Marte, cujo estresse gera questões psicossociais”, avalia ais Russomano. A radiação, que engloba os raios cósmicos galácticos e solares, é considerada pela Nasa (a agência espacial americana) um obstáculo fundamental às viagens espaciais, por aumentar o risco de câncer.

Não é brincadeira. Baseado na missão que levou o veículo motorizado Curiosity a Marte, em 2012, o Southwest Research Institute, dos EUA, calcula que só a viagem até o planeta vermelho importa na absorção de 330 milisieverts de radiação no organismo, o equivalente a uma tomografia de corpo inteiro a cada cinco ou seis dias, durante um ano. Para controlar
o risco de câncer no espaço, as agências espaciais limitam em 1.000 milisieverts a exposição acumulada de uma pessoa em vida. Portanto, tanto as na ves que levarão os astronautas quanto a base marciana exigirão blindagens bem mais resistentes do que as atuais.
Caça ao dinheiro

Uma pergunta crucial em um projeto de tal porte é o custo. Para Lansdorp, a conta bate em US$ 6 bilhões, muito menos do que os US$ 100 bilhões que a Nasa previu gastar em uma
missão tripulada a Marte, em 2009. Mas vale lembrar que a agência espacial americana queria trazer seus astronautas de volta, enquanto o Mars One afi rma que o custo da viagem de regresso inviabilizaria a iniciativa. De qualquer modo, trata-se de uma dinheirama e, como os patrocinadores apresentados no site não têm grande poderio econômico, o Mars One busca
aproveitar toda oportunidade disponível para fazer caixa.

As inscrições, por exemplo, são pagas. Na primeira versão, a taxa variou de US$ 5 (para candidatos da pobre Somália) a US$ 73 (para pretendentes do rico Catar). Os americanos gastaram US$ 38 per capita; os brasileiros, US$ 13. Como em abril Lansdorp disse esperar um milhão de inscrições, já existe um belo buraco no orçamento. Assistir ao documentário One Way Astronaut (Astronauta sem Volta), disponível no site, custa US$ 2,95 (por visualização online) ou US$ 4,95 (por download). No portal também há uma página de doações e uma loja virtual que oferece agasalhos, camisetas, canecas, pôsteres e adesivos com imagens ligadas à missão.

A grande esperança do projeto para obter financiamento é um reality show de tevê e internet no qual os candidatos terão de vencer desafios relacionados à viagem. “Estamos falando sobre criar um grandioso espetáculo de mídia, muito maior do que os pousos na Lua ou as Olimpíadas”, diz Lansdorp. Convenientemente, um dos “embaixadores” do Mars One é o holandês Paul Römer, cocriador do primeiro reality show Big Brother, levado ao ar em mais de 40 países. “Essa missão a Marte pode ser o maior evento de mídia do mundo”, afi rma ele. “A realidade encontra um show de talentos sem final, com o mundo inteiro assistindo.” Lansdorp está em plena negociação com emissoras e patrocinadores.

A ideia é promover seleções regionais, nas quais competirão entre 20 e 40 candidatos. Os telespectadores selecionariam um dos fi nalistas e os especialistas do Mars One escolheriam
os demais. Os eleitos serão distribuídos pelo Comitê de Seleção em grupos, com pessoas de nacionalidades diferentes (toda a comunicação, então, já será feita em inglês), e participarão
de outro reality show, no qual demonstrarão sua capacidade de viver e trabalhar em equipe em condições complexas, em locais que simulam ambientes marcianos.

O desempenho levará à escolha de 24 pessoas, divididas em seis grupos, que serão contratadas pelo Mars One. Em 2015, elas iniciarão o treinamento para a missão. A defi nição sobre qual dos grupos fará a viagem inaugural será outra decisão compartilhada entre o Comitê de Seleção e os espectadores (com mais uma oportunidade de faturar, é claro). “Porque nossa missão é uma missão da humanidade, faremos disso uma decisão democrática”, explica o Mars One em seu site. “As pessoas da Terra votarão em qual grupo terá os primeiros embaixadores da Terra em Marte.”

A retórica não basta para convencer os críticos. Marcos Pontes, o primeiro brasileiro a ir ao espaço, não acredita no sucesso da operação, porque considera inviável o cronograma divulgado pelo Mars One. Para ele, os primeiros exploradores não viveriam mais do que dez anos. “Os tripulantes do projeto irão se sacrifi car pelos outros, pelo futuro”, avalia o astronauta. Numa entrevista à BBC em 2012, Chris Welch, diretor dos Masters Programs da Estação Espacial Internacional, declarou: “Mesmo ignorando a divergência potencial entre a arrecadação do projeto e seus custos e as questões sobre sua viabilidade em longo prazo, a proposta do Mars One não demonstra uma compreensão sufi cientemente profunda dos problemas para propiciar uma confi ança plena de que seria capaz de cumprir seu ambiciosíssimo planejamento”. O tempo vai mostrar, nos próximos anos, qual é o verdadeiro fôlego do sonho de Bas Lansdorp.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O estranho objeto encontrado pela Nasa em Marte

Um robô da Nasa, a agência espacial americana, descobriu o que pode ser um meteorito metálico na superfície de Marte.
Se confirmado, seria o terceiro objeto deste tipo encontrado pelo jeep-robô Curiosity desde agosto de 2012, quando pousou na superfície do planeta.
Uma imagem do objeto, feita no último dia 12 e disponibilizada no site da Nasa, revela que ele já foi "escaneado" pelo raio laser que o veículo usa para vaporizar parte da superfície de amostras, enquanto um espectômetro detecta sua composição através da análise da nuvem de plasma provocada pelo raio.
As imagens sugerem que o suposto meteorito poder ser feito de uma combinação entre ferro e níquel, e se isso for confirmado pela análise dos dados coletados pelo Curiosity, se saberá que ele foi formado a partir do núcleo de um asteroide. As imagens também revelam que o objeto tem sulcos compatíveis com o atrito de entrada na atmosfera de um planeta.
"O objeto foi batizado de Ames Knob e e lembra outro meteorito examinado pelo Curiosity em novembro, e cuja análise revelou uma composição de ferro e níquel", disse Guy Webster, um porta-voz da Nasa, ao site americano IFL Science.
Veículos-robô em Marte já encontraram sete meteoritos metálicos no planeta (pelo menos sete foram localizados por outros veículos americanos, o Opportunity e o Spirit), mas o interessante nisso tudo é essa particularidade de seu perfil. Na Terra, 95% dos meteoritos encontrados são rochosos.
Por quê isso ocorreu? Pode ser fruto da diferença de ambientes entre os dois planetas no que diz respeito à erosão. Ou pelo fato de o terreno escarpado de Marte tornar mais difícil a localização de rochas específicas.
A ausência de oxigênio e água na atmosfera de Marte impede a oxidação de objetos metálicos, que são erodidos pelo vento e mudanças de temperatura.
Observações iniciais das imagens sugerem, de acordo com a revista New Scientist, que o meteorito pode ter caído há relativamente pouco tempo, pois sua superfície parece suave e brilhante - ele ainda não teria sido erodido. Só que também pode se tratar de um meteorito antigo que foi polido pelas violentas tempestades de areia que atingem o planeta.
O Curiosity percorreu mais de 15 km desde que pousou no interior da Cratera Gale, há quatro anos e meio. Os cientistas americanos esperam tentar criar uma linha de tempo para as transformações ambientais sofridas pelo planeta - acredita-se, por exemplo, que a cratera, hoje um imenso deserto assolado por ventos, já foi um imenso lago que poderia ter abrigado algum tipo de vida.